Viajar é um convite que a vida nos faz para desacelerar e abrir as janelas da alma. Em quatro dias ao lado da minha esposa, saímos do Brasil a Portugal, descobrimos que Lisboa não é só história em pedra , poesia em movimento, e Cascais é um respiro de mar de alegria.
No nosso primeiro amanhecer, chegamos à Praça do Comércio, onde o sol surgia por trás dos arcos amarelos, chamando para um café com pastel de nata. Caminhar ali, diante do Tejo, foi sentir a grandiosidade da cidade respirando. Cada reflexo sobre a água era um convite à contemplação.
A alma da cidade pulsa em feiras antigas onde o frescor é protagonista. No Mercado da Ribeira, os balcões de petiscos se alinham como galerias de arte gastronômica. Provei bacalhau à Brás ao lado de um chef jovem, e descobri que aquela mistura de ovo, batata palha e azeitonas verdes é pura harmonia em cada garfada. Ao fundo, guitarristas dedilham fado moderno, uma trilha sonora que embala o convívio e transforma compra em festa.
Nem só de grandes mercados vive Lisboa. Não resisto às picadas coloridas do Mercado de Campo de Ourique, onde o pé-desena se mistura a barracas de flores e queijos artesanais. Ali, um café expresso cai como um batismo matinal, e o cheiro de pão de massa mãe, ainda quente, me lembram da simplicidade que sustenta a alegria.
Outro momento foi as ladeiras da Alfama até o Castelo de São Jorge, onde a vista rende suspiros: telhados vermelhos, muros ancestrais e o rio que se estende sem pressa. Foi ali, entre guias emocionados e pombas ao vento, que percebi como a vida se faz de pequenas pausas; olhar o horizonte, ouvir um fado que ecoa pelas vielas, deixar o coração serenar.
Perdemo-nos no Chiado, entre cafés históricos e livrarias iluminadas. A uma esquina, o Elevador de Santa Justa nos levou a um panorama urbano digno de pintura Mais adiante, no Miradouro de Santa Luzia, a cidade se abriu como galeria ao ar livre. a vista se abriu em azulejos azuis e barcos a deslizar como páginas viradas pelo vento. Meu olhar encontrou o dela, e não foi preciso dizer nada: aquele instante já era memória eterna.
Perto do Padrão dos Descobrimentos, a elegância modernista encontrou o antigo: embarcamos para Belém e, diante daqueles navegadores esculpidos, sentimos a força das descobertas que movem o espírito humano. A Torre de Belém, em plena margem do Tejo, parecia o guardião de todas as histórias que ainda queremos viver.
Em Belém, não pude deixar de enfrentar a fila na Pastéis de Belém. A primeira mordida, cremosa e esfumaçado de canela, trazia um ar de celebração em cada fio de massa folhada. No mesmo quarteirão, mostrei a vista a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e o guarda-sol de pedra da Torre de Belém lembrando que explorar o ontem desperto inspirações para o hoje.
Cascais foi outro destino que surgiu no horizonte como um oásis após uma escolha de meio de tarde. A caminho de Cascais, a estrada costeira se dobra em recortes de falésia e mirantes roubados ao Atlântico. A cidade antiga recebe a gente com casas baixas e fachadas coloridas, e é impossível não respirar fundo ao chegar ao Mercado da Vila de Cascais. Entre flores, peixes frescos e bancas de queijo, sentamos num restaurante de marisco para escolher camarões gigantes e ostras que souberam mais a celebração do que a refeição.
A orla, com suas casinhas coloridas, seduziu nossos sentidos logo ao desembarcar. Caminhamos pelo centro histórico, almoçamos na Praça 5 de Outubro e deixamos o relógio de lado. Cada sorvete, cada sorriso, cada loja de objetos artesanais nos lembrou de que, às vezes, desacelerar é o gesto mais generoso que podemos ter com nós mesmos.
O Farol de Santa Marta, de azulejos brancos e azuis, revelou outro ângulo do Atlântico — águas cristalinas e rochedos esculturais que se tornaram palco para um pôr do sol que não cabe nas palavras. Sentados ali, com o vento envolvendo nossos corpos, entendemos que a vida é feita desses instantes suspensos entre o céu e o mar.
Conhecer um pouco de Lisboa foi transformar cada detalhe em inspiração, e dividir cada descoberta com quem amamos foi elevar o ordinário ao extraordinário. Lisboa me lembrou de que o passado caminha com a modernidade de mãos dadas. Cascais que a natureza é mestre em nos reconectar.
Mas o que fica mesmo não cabe em imagem alguma: é a harmonia suave de viajar junto, a alegria que preenche o peito, o sorriso que nasce sem razão aparente. É isso que procuro em cada viagem: experiências que me inspirem e me alinhem com a beleza de viver com o coração aberto.
Esta foi a experiência que a vida ofereceu; este foi o meu olhar. Eu sou Fernando Cerqueira e entrego estratégias digitais para os desafios do presente, com propostas de inovação para um futuro sustentável.





